Foto de um MacBook Air parcialmente aberto, com a tela ligada.

Em 2011, com 19 anos, tive uma das maiores alegrias da minha vida: ganhei o tão sonhado computador - o meu primeiro. Era um Pentium III, 32MB de RAM e 40GB de HD PATA, junto com um monitor de tubo de 14 polegadas da LG. Tudo o que eu precisava pra fazer meus trabalhos da faculdade de Gestão de TI sem gastar dinheiro numa lan house ou importunar minha prima, que morava na casa da minha avó. Ganhei esse PC de um projeto chamado Micro Velho, que estava ligado à Prefeitura de Lorena, cidade em que nasci. Até tive que assinar um contrato me comprometendo em devolver o mesmo computador no momento em que não precisasse mais, pra que, assim, pudesse ser refeita a doação. Um dos idealizadores do projeto é um colega da família e fiquei felizão quando aconteceu. Era um sonho.

Desde moleque eu era louco por tecnologia e jogos. Entendia que meus pais não podiam me comprar um computador e me contentava em usar na casa dos meus avós. Enquanto fazia cursos de Montagem e Manutenção de Computadores e Web Design em uma escola no centro da cidade, testava a parte prática com os computadores dos meus primos. Não cheguei a quebrar nada, mas já fiz muita baderna desmontado os PCs e espalhando peças pela casa.

Pouco depois de terminar a faculdade, em 2013, e depois de a vida ter melhorado bastante, comecei a juntar uma grana pra tirar a carteira de motorista - depois de trabalhar com hardware e formatações de computadores. Mas em dezembro soube que minha amiga Luciana, que estudou comigo na faculdade - pouco depois de ficar grávida do seu primeiro filho -, estava vendendo um MacBook Air, com poucos dias de uso. Fiquei curioso e comecei a pesquisar sobre os produtos da Apple, que até então não tinha nenhum contato. Pirei com a máquina e troquei umas ideias com essa amiga. E aconteceu que meu pai me ajudou a comprar o Mac, já que o pagamento teria que ser feito à vista e eu não tinha a grana toda naquele momento. Comprei por R$ 3000, um valor muito abaixo de um novo. A máquina está firme e forte até hoje. O Air tem um Core i5, 4GB de RAM e 128GB de SSD. Uma das melhores compras que fiz na vida!

A partir daí comecei a me interessar por programação. Queria criar sites, softwares, aplicações. De uma hora pra outra, trabalhar com programação - junto com ajudar as pessoas e resolver problemas através da tecnologia - virou um propósito. Aprendi que propósito não é uma meta, tampouco uma escolha. É algo interior, que me move, que me motiva de um jeito que eu não consigo explicar. E sabia que dali em diante estaria sempre disposto a investir o que fosse, com minhas possibilidades e esforços pra seguir em frente com isso.

Sabia também que precisaria de um computador melhor pra dar conta do que eu queria fazer e trabalhar. Sou grato pelo PC que ganhei, mas ele não daria conta do que eu faria por muito tempo. Me ajudou demais no tempo da faculdade, mas tive que aposentá-lo.

Logo depois de uns meses soube de um novo curso de pós-graduação em Projetos e Desenvolvimento de Aplicações Web na UNIFATEA, uma faculdade de Lorena - SP. Nessa época estava trabalhando com hardware e formatações de computadores na BASF Guaratinguetá, através de uma empresa terceira. Curti demais a ementa do curso, principalmente por ter 2 professores fodas da faculdade que me formei no meio do corpo docente. Resolvi arriscar, mesmo sendo a primeira turma do curso e ter tido pouco contato com programação até então. Foi assim que parcelei o curso em 22 “suaves prestações” e fui. Foi o primeiro “curso grande” que decidi pagar.

Antes disso estava formado em Técnico em Informática pela ETEC de Cachoeira Paulista (SP) e formado na faculdade de Gestão da Tecnologia da Informação pela FATEC de Guaratinguetá (SP).

Sou grato demais por alguns privilégios que tive e tenho - mesmo vindo de uma família muito simples. Meus pais fizeram o máximo pra que eu pudesse estudar o que eu quisesse e ajudaram a todo momento, da maneira que podiam.

Meu pai trabalha como pedreiro e lembro exatamente das cenas diárias dele saindo do trabalho, com o boné com marcas de cimento, me levando de bicicleta à rodoviária pra pegar o ônibus todos os dias, na chuva ou no sol.

Estou me expondo desse jeito pra, quem sabe, motivar uma pessoa sequer a seguir firme com os objetivos. E também pra eu mesmo refletir sobre a minha vida. Mesmo que tudo esteja difícil, é provisório.

Não acredito que é só você sonhar e pensar positivo que você vai conseguir o que quer. Há vários fatores que influenciam. Mas quando você sonha e pensa positivo - APESAR de tudo -, parece que seu radar fica muito ligado pra novas oportunidades e a probabilidade de acontecer o que você quer aumenta muito.

Há 1 ano e meio estava no interior sem muita perspectiva de evolução. Hoje, depois de uma reviravolta, aqui em São Paulo, fico extremamente feliz por todo acesso a informações, conhecimentos e pessoas fantásticas que eu tenho diariamente.

Como sempre falo, é quase um dever moral de compartilhar o que estou aprendendo e experienciando, mesmo sendo só o começo.

Depois de por muito tempo ficar triste pelas coisas ruins que aconteciam e pelo que não acontecia, aos poucos fui mudando. Quero fazer todo o esforço pra me respeitar mais, respeitar minha história, ter mais amor próprio.

Não precisava ter me sentido a pior das pessoas que estava cursando a pós, nem preciso me sentir o mais júnior de todos os desenvolvedores fodas que conheço e convivo durante os eventos e meetups que sempre frequento. Mas só precisava/preciso sentir privilegiado/grato de estar cercado de pessoas melhores que eu, que puxam meu nível sempre pra cima.

É só uma questão de tempo e ficar mais tranquilo. Aproveitar o processo de aprendizagem de um jeito divertido é importante demais pra evolução. A gente aprende na prática, assim como entende que é sempre só o começo. Além de perceber que não tem nada garantido.

Essa é a vida. Apenas o agora.